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stylete10anos

A aroeira é uma árvore que resiste, que cura, que atravessa rituais, saberes populares e práticas medicinais. Presente na farmacopeia indígena, na tradição afro-brasileira e na vida cotidiana, a aroeira aparece em quase todas as paisagens do país. Ela atravessa biomas distintos, brota em solos improváveis e se mantém firme em condições adversas.

Essa amplitude permite uma aproximação com modos diversos de leitura do mundo. A aroeira não depende de um solo único e se reinventa no atravessamento dos territórios, como aquilo que vive na fronteira das línguas, dos ritos e dos mitos. Sua força está menos no esplendor e mais nessa persistência discreta, que continua ali mesmo quando tudo ao redor muda.

A aroeira reúne, na sua presença espalhada pelo país, uma firmeza silenciosa. Cresce onde o clima desafia, acompanha histórias diversas e guarda marcas de muitos mundos que a atravessam. Permanece como expressão dessa mistura de resistência e delicadeza que compõe o tecido vivo do Brasil.

Stylete 10 anos
Brasilidades

A Revista Stylete Lacaniano convida a comunidade de psicanalistas da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano Brasil  (EPFCL-Brasil) a submeter trabalhos para o seu próximo número, que integrará uma sequência de produções que celebram os 10 anos de existência da revista. Para este primeiro volume, a convocação é a de realizar um trabalho em torno de uma temática inédita e especial: as brasilidades. Propomos assim, um mergulho no território fértil das múltiplas expressões de brasilidades, nas vozes, imagens e corpos que reinventam o país em sua diversidade.

Neste nosso tempo de celebração, recordamos ainda a Década Internacional das Línguas Indígenas (2022-2032), instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) e coordenada pela UNESCO. A frondosa diversidade linguística presente hoje no Brasil é tema da Exposição Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação, que estreou no Museu da Língua Portuguesa e abriu a década comemorativa. Segundo a curadora Daiara Tukano, o Brasil é considerado um dos países mais multilíngues do mundo. Um dado que pode surpreender não por ser exótico, mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto, quando terá sido o óbvio.1 Além dessa entrada da questão indígena no âmbito das instituições de memória, vale destacar a criação de espaços expositivos que colocam em circulação a arte indígena e a voz de artistas representantes de diferentes tradições ancestrais. Em 2021, a exposição denominada Moquém_Surarî: arte indígena contemporânea, curada por Jaider Esbell, fundou um largo campo expositivo durante a 34ª Bienal de São Paulo, reunindo trabalhos de artistas de distintas etnias sobre o tema do pensamento cosmológico e dos mitos e narrativas ameríndias. Três anos depois, foi a vez da Bienal de Artes de Veneza abrir o Pavilhão Brasil dedicado aos povos originários com a exposição Hãhãwpuá, com curadoria de Arissana Pataxó, Denilson Baniwa e Gustavo Caboco Wapichana. Esses dois marcos nas artes visuais inauguram um campo de visibilidade e representatividade fundamental para a circulação de saberes e fazeres outrora silenciados.

Ao propor esse tema, brasilidades, a revista Stylete convida os autores e autoras a contribuírem com seus trabalhos, a partir da perspectiva psicanalítica, com esse tema que nos leva a refletir sobre o sofrimento humano, circunscrito nesse recorte que é a formação do povo brasileiro, a relação com sua terra (território), língua, enfim, sua cultura de maneira ampla. O que a psicanálise pode ler nessas manifestações particulares?

Convidamos nossa comunidade de psicanalistas e artistas a pensar de modo criativo, inovador, não convencional, original e perspectivo – o que implica tocar na borda do que sustenta o gesto lacaniano: não fechar o campo, mas deixá-lo fendido. Se as coletâneas se voltam às brasilidades em suas marcas mais visíveis, talvez caiba um espaço que não se acomode em nenhuma dessas divisões. Um desvio, um intervalo de obra e de palavra, no qual analistas, artistas, fotógrafos, poetas, dentre muitos outros, resistam àquilo que é fadado a ser enquadrado. É nesse resto, que não cabe, que a psicanálise encontra sua vizinhança com a arte e as poéticas. Da potência criativa do Brasil e sua capacidade de transformar o ancestral em contemporâneo, ecoando a memória - conceito tão caro à psicanálise - das florestas, dos rios, dos mares, dos bichos, dos elementos naturais, mas também sem se esquecer de sua devastação pela colonização.

Visando a articulação entre as artes e a psicanálise, Stylete Lacaniano se abre para a publicação de trabalhos que desdobrem essa articulação com a clínica, com outras éticas e discursos. A revista aposta na poesia, teatro, música, cinema, fotografia, artes visuais, arte têxtil, performance, grafite, cartas, escritos, manuscritos, para reinventar o que é a nossa matriz constitutiva enquanto povo.

¹ VELOSO, Caetano. Um Índio.

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Normas de submissão

1. Sobre a Revista

Stylete Lacaniano é uma revista eletrônica que traz como proposta central a articulação entre as artes e a psicanálise, a partir da publicação de trabalhos que desdobrem essa relação com a clínica, o laço com outras éticas e discursos, bem como as urgências da atualidade. Aposta na poesia, teatro, música, cinema, fotografia, artes visuais, arte têxtil, performance, grafite, cartas, escritos e manuscritos como via de trabalho. São recebidos trabalhos dos psicanalistas da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano – Brasil ( EPFCL-Brasil) e de artistas convidados.

2. Condições Gerais

• As contribuições devem ser originais e inéditas.
• A seleção dos trabalhos enviados será feita pelo conselho editorial.
• O autor é responsável pela autoria, direitos de imagem e uso de obras de terceiros.
• A submissão é gratuita e não implica qualquer taxa de publicação.

3. Formatos Aceitos

3.1. Escritos

Extensão sugerida: até 4.000 caracteres com espaços.
• Formatação:
→ Fonte Times New Roman ou Arial, tamanho 12, espaçamento 1,5.
→ Envio em formato .docx.
→ Título em português.
• As referências e notas, quando necessárias, devem vir ao fim do texto, e não da página. Devem estar na seguinte ordem: autor (sobrenome e nome), livro em itálico (ou artigo entre aspas seguido do livro em itálico), cidade, editora, ano da edição, número da página.

3.2. Vídeos, fotografias, experimentos sonoros ou materiais híbridos

• Os vídeos devem ter duração máxima de 5 minutos em formato .mp4 ou .mov.
• Fotografias: até 10 imagens, em .jpg ou .png em alta resolução (mínimo 1500px de largura), com legendas e créditos.
• Experimentos sonoros: devem ter duração máxima de 5 minutos em formato .mp3.
• Vídeos, fotografias e experimentos sonoros devem vir acompanhados de carta de autorização de uso de imagem e exibição pública.
• Vídeos, fotografias e experimentos sonoros devem vir acompanhados de breve texto (até 1.000 caracteres com espaço) contextualizando a obra.

4. Direitos Autorais e Ética

• O envio de qualquer material implica autorização para publicação digital pela revista.
• Os autores mantêm seus direitos autorais, podendo reutilizar o material publicado, desde que indiquem a fonte original.

5. Submissão

Envios devem ser feitos para: styletelacaniano@gmail.com, contendo:
• Nome completo.
• Fórum de pertencimento.
• Título do trabalho (se houver).
• Formato do material (texto, vídeo, fotografia etc.).
• Declaração de que o trabalho é original e autoral.

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